contraste entre a pujança econômica e a fragilidade na resposta a emergências foi severamente evidenciado pelo recente acidente com vazamento de gás estireno na fábrica da Innova. O episódio expôs uma realidade alarmante denunciada pelo Sindicato dos Metalúrgicos: um dos maiores complexos fabris da América Latina, que abriga mais de 600 empresas, conta com apenas uma ambulância ativa mantida de forma cooperada/particular no polo.
Por que esse cenário é crítico?
- Risco Químico e Operacional Elevado: O PIM abriga indústrias metalúrgicas, químicas, de plásticos e de eletroeletrônicos que lidam diariamente com materiais inflamáveis e substâncias tóxicas. Um incidente de grande porte exige resposta em minutos — o que é impossível dependendo apenas do fluxo padrão do SAMU de Manaus ou de uma única unidade móvel compartilhada.
- Resistência do Setor Patronal: Segundo lideranças sindicais, a cobrança por ambulâncias dedicadas, brigadas integradas de socorro e planos de evacuação coordenados é antiga, mas costuma ser tratada pelas empresas puramente como “planilha de custo” e segredo empresarial.
- Impacto no Sistema Público de Saúde: Sem uma rede de resposta rápida interna e coordenada para estabilização pré-hospitalar, qualquer ocorrência satura imediatamente as emergências públicas de Manaus (como os Prontos-Socorros João Lúcio e 28 de Agosto), além de colocar em risco a vida do trabalhador pelo tempo de deslocamento no trânsito pesado do Distrito.
O Alerta: Defender a manutenção da Zona Franca de Manaus e seus incentivos fiscais é fundamental para o Amazonas, mas essa defesa precisa vir acompanhada da exigência de dignidade e segurança física para as pessoas que fazem essa engrenagem bilionária girar todos os dias. Segurança no trabalho não é custo; é o mínimo ético.


