O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ampliou sua presença no Amazonas com financiamentos destinados a enfrentar gargalos históricos de saneamento, logística e infraestrutura.
Os projetos foram apresentados nesta quinta-feira (10 de setembro), em Manaus, pelo presidente do banco, Aloizio Mercadante, durante encontro promovido pela Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam).
Fora das fábricas do polo industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM), a carteira do BNDES alcança a expansão da rede de esgoto da capital, a construção de embarcações, a modernização de aeroportos e atividades econômicas associadas ao uso sustentável da floresta.
Os investimentos têm impacto direto sobre a qualidade de vida da população e o ambiente de negócios.
No Amazonas, as deficiências de infraestrutura aumentam os custos de produção, dificultam a circulação de pessoas e mercadorias e limitam a instalação de novos empreendimentos.
Saneamento terá R$ 3 bilhões
O projeto de maior dimensão está no saneamento básico de Manaus.
O empreendimento prevê investimentos totais de R$ 3 bilhões, dos quais R$ 1,5 bilhão será financiado pelo BNDES.
Estão previstos 2.335 quilômetros de redes coletoras e 29 estações de tratamento de esgoto. A ampliação da cobertura poderá reduzir o lançamento de resíduos sem tratamento nos igarapés e melhorar as condições sanitárias em diferentes áreas da capital.
O saneamento também tem efeito econômico. A ausência de coleta e tratamento adequados pressiona o sistema de saúde, prejudica a recuperação dos cursos d’água e aumenta os custos da expansão urbana.
Em uma cidade marcada pela ocupação das margens dos igarapés, o investimento pode representar uma das maiores intervenções recentes na infraestrutura ambiental de Manaus.
Financiamento de novas balsas
Na logística fluvial, o banco participa do financiamento de uma nova frota da Hermasa Navegação da Amazônia.
O projeto soma R$ 384 milhões e prevê a aquisição de 60 balsas graneleiras e dois empurradores. Desse total, R$ 345 milhões são financiados pelo BNDES.
Até a apresentação do balanço, 32 embarcações já haviam sido entregues e estavam em operação.
A renovação da frota amplia a capacidade do transporte de cargas pelos rios, principal sistema de integração logística da Amazônia. Também pode produzir reflexos sobre a indústria naval, uma vez que parte das embarcações é construída em estaleiros da região.
A fabricação local movimenta fornecedores, gera empregos especializados e fortalece uma cadeia produtiva ligada diretamente às características geográficas do Amazonas.
Aeroportos recebem modernização
Outra frente apresentada pelo BNDES envolve a modernização de sete aeroportos. O programa reúne R$ 1,9 bilhão em investimentos, com financiamento de R$ 600 milhões do banco.
No aeroporto internacional de Manaus, concedido ao setor privado, estão previstos R$ 213 milhões em investimentos.
O terminal é estratégico não apenas para o transporte de passageiros. Também funciona como rota para cargas de alto valor agregado, componentes industriais e produtos que dependem de entregas mais rápidas.


